domingo, 20 de setembro de 2009

Dia de missa ... tudo que preciso é de um Deus que sorri


Hoje, depois de um longo e tenebroso inverno, resolvi ir assistir a uma missa católica.

Tem um padre que gosto muito em uma igreja vizinha, mas resolvi inovar, e fui um pouco mais distante. Infeliz idéia.

A igreja é muito bonita, já tinha estado lá outras duas vezes. A primeira na minha missa de formatura, a segunda no casamento de uma amiga. Nessas duas oportunidades mais passadas, tive problemas sérios com o padre. No dia da minha missa, ele se recusou a esperar 10 minutos para que os demais formandos tivessem a oportunidade de chegar. "Ou entram agora, ou não tem missa", foram as sábias palavras da pessoa. No dia do casamento da minha amiga, ele trocou a história dos noivos ... infeliz confusão que ficou registrada na vida da minha amiga.

Hoje não me lembro se o padre era o mesmo, mas tinha bastante tempo que não escutava palavras tão descabidas e antiquadas. E depois a igreja fica sem entender a perda de fiéis. Não vou postar detalhes pra não cansar os blogueiros que me acompanham e também em sinal de respeito aos católicos fervorosos. Mas que foi dureza conseguir ficar até o final, isso foi.

No meio da celebração, me lembrei de um texto da Marta Medeiros, que posto em seguida.


Eu acredito em Deus. Mas não sei se o Deus em que eu acredito é o mesmo Deus em que acredita o balconista, a professora, o porteiro. O Deus em que acredito não foi globalizado.

O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém. É uma idéia, uma energia, uma eminência. Não tem rosto, portanto não tem barba. Não caminha, portanto não carrega um cajado. Não está cansado, portanto não tem trono.

O Deus que me acompanha não é bíblico. Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.

O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos. Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras, e nossa penitência é a reflexão. Ave Maria, Pai Nosso, isso qualquer um decora sem saber o que está dizendo. Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.

O Deus em que acredito não condena o prazer. Se ele não tem controle sobre enchentes, guerrilhas e violência, se não tem controle sobre traficantes, corruptos e vigaristas, se não tem controle sobre a miséria, o câncer e as mágoas, então que Deus seria ele se ainda por cima condenasse o que nos resta: o lúdico, o sensorial, a libido que nasce com toda criança e se desenvolve livre, se assim o permitirem?

O Deus em que acredito não é tão bonzinho: me castiga e me deixa uns tempos sozinha. Não me abandona, mas me exige mais do que uma visita à igreja, uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros. A cruz pesa onde tem que pesar: dentro. É onde tudo acontece e tudo se resolve.

Este é o Deus que me acompanha. Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe-tudo e vê-tudo. Meu Deus é discreto e otimista. Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: um abraço numa amiga, uma música na hora certa, um silêncio. É onipresente, mas não onipotente. Meu Deus é humilde. Não posso imaginar um Deus repressor e um Deus que não sorri. Quem não te sorri não é cúmplice.

7 comentários:

Marcelo Duarte Palagano disse...

eu gostei do seu post... achei muito belo e ao mesmo tempo tão sincero quanto tudo que já li. O que você disse acontece não só com você ou só comigo mas com um monte de gente que talvez não tenha essa atitude de não dizer não aos padrões da sociedade... ou religiosidade...

um abraço

Analuz disse...

oi Joujou,fui à missa hj tb e inevitável nao refletirmos sobre religiosidade e,principalmente, de como as pessoas aplicam-na no cotidiano, nao é mesmo?especialmente àqueles que se esquecem,no culto, dos mandamentos básicos do bom convívio social.
bjkss

Jou Jou Balangandã disse...

Marcelo, obrigada pela visita e pelos elogios. Acho que o fundamental em um blog é sinceridade, não é mesmo?

Bjos

Jou Jou Balangandã disse...

Analuz,
esse domingo foi de agradecimentos, por tudo de bom que nos aconteceu no decorrer da semana.

Bjos

Bruno e Karina disse...

Meu Deus deve ser o mesmo que o seu porque são muito parecidos...beijos, K.

Dedinhos Nervosos disse...

Acho que eu e "Martinha" temos o mesmo Deus.

Eu sou católica, mas nào sou muito de ir a missas. Mas adoro entrar em igrejas vazias, amo ir ao Convento da Penha para rezar sozinha e conversar com o Deus que sempre está comigo.

beijos.

Dedinhos Nervosos disse...

Ahhhh, menina, vc tinha deixado um post lá no Dez Dedinhos sobre não conseguir me achar fácil. Acho que é só add em seguidores, nào? Sou tão péssima nisso rsrs
Beijos!